
O Energy Independence and Security Act em 2007 apitou o início de uma corrida. Em 2022, as distribuidoras de gasolina estadunidenses terão de misturar 136 bilhões de litros de combustíveis vindos de plantas à gasolina – e como produzir isso? O governo brasileiro alegremente se candidatou – com a já cinco vezes secular cana-de-açúcar, agora não mais para produzir o diabetizante açúcar mas para transformá-lo em um tipo de álcool com dois átomos de carbono pendurados, o famoso etanol. Há concorrentes. Os estadunidenses apostam no milho. Os europeus, no trigo e na beterraba.
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Temos vantagens. A Agência para Proteção Ambiental dos EUA declarou que nosso álcool diminui as emissões de carbono em cerca de 60% em relação à gasolina – o que o coloca como biocombustível avançado, pois segundo eles mesmos os avançados têm de diminuir emissões em mais de 50%. O etanol de milho só diminui em 20%. E melhor – a própria lei americana determina que o teto de mistura de etanol de milho é de 57 bilhões – ou seja, sobram uns generosos 75 bilhões de litros para serem comprados de quem for esperto para vendê-los. Vivamos nós, certo?
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Como no Paraíso, a cobra rasteja no grama, ou no canavial. Os de sempre – estadunidenses e europeus, agora com a adição dos chineses – estão pesquisando loucamente fazer biocombustível de segunda geração. Por trás desse nome bonito está qualquer coisa: restos de plantas, folhas, raízes, papel, lixo – qualquer coisa que possa ser transformada em líquido queimável. Eles pesquisarão, e acharão, como sempre – e nós teremos de pagar royalty pela tecnologia alheia. Como sempre?
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Nossa única vantagem, como sempre, é produzir barato produtos chinfrins – no caso, muita, muita cana. A não ser que criemos vergonha na cara e comecemos desde ontem a entrar na corrida da pesquisa. A Petrobrás deu passo importante ao anunciar associação com a estadunidense KL Energy para produzir álcool de bagaço. Espera aumentar em 40% a produção de etanol para um mesmo hectare.
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É um começo, embora insuficiente. Precisamos de mais e mais pesquisa – a não ser que mais uma vez queiramos ficar a vender coisas baratinhas enquanto os outros enriquecem.
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